Automutilação : isso é coisa séria.

Antes de ter uma opinião já formada sobre esse assunto para que pudesse falar sobre, fiz pesquisas na internet para aprender e não sair falando qualquer coisa. Li um texto interessante no site Via Freud onde conta a vida de uma jovem de 25, artista plástica, que tinha a prática da automutilação desde dos 12 anos de idade. A menina teve o primeiro contato com essa prática quando ela se frustou profundamente com uma nota baixa em inglês. Ela ficou com muita raiva de si mesma, e com isso, começou a dar fortes pancadas na parede com sua própria cabeça. Tudo para exteriorizar sua tristeza com sua nota. Ela só parou quando sua cabeça latejou. O site conta que ver o galo em sua cabeça, trouxe calma, alívio e tranquilidade. Ela diz na sua entrevista ao site que sempre foi muito perfeccionista e sempre exigiu muito de si mesma, ser a melhor em tudo.

Foi então que a jovem encontrou um ” remédio ” acessível para estancar suas dores internas. No começo era tapas, socos, mordidas. Dez anos depois em uma crise de depressão começou com os cortes com arames, facas, lâminas. Há 3 anos a jovem faz sessões de terapia com uma psicóloga e toma remédios para superar seu transtorno emocional.

Os automutilados se batem, se cortam, se queimam e até quebram os ossos quando não conseguem lidar com a angústia, a tristeza, a raiva e outros sentimentos difíceis de suportar. Eles não querem pôr fim à própria vida com os cortes. No início, desejam apenas se punir, mesmo que inconscientemente. O primeiro machucado quase sempre acontece por impulso. Muitos dão socos nas paredes, furam as mãos com a ponta do compasso, da lapiseira, com a lâmina do estilete ou um caco de vidro durante um acesso de raiva. Depois de machucados, dizem que se sentem aliviados. A dor física ameniza a emocional. Lesionar-se intencionalmente acaba se tornando a saída para os momentos dolorosos, um vício, como drogas ou álcool.

A automutilação é um assunto muito sério. E lendo esse textos pude ter a ”noção”do que as pessoas que tem essa prática, passam. Muito triste, são coisas que sinceramente ”não consigo entender ” pois foge da minha realidade de vida. Porém não cabe a mim julgar e sim ajudar. Pois todos nós temos histórias de vida diferentes, capacidade emocional diferente, suportamos coisas diferente. Não cabe a sociedade julgar, porque só entendemos de fato o que a pessoa passa quando nós sofremos na pele o mesmo. O desejo da prática ele vem variavelmente, como diz no texto. Pode ser uma insatisfação com notas, com o corpo, com a vida, com a falta de sentido na vida.  São variáveis os motivos que levam jovens adultos a se mutilarem.

No Brasil não existem números oficiais da quantidade de pessoas que se machucam para aliviardores psíquicas.

Nos Estados Unidos, os estudos são mais avançados. Uma pesquisa publicada em 2006 mostrou que 17% dos jovens entre 18 e 24 anos em uma universidade americana já haviam se cortado intencionalmente uma vez na vida. E 75% deles levaram a prática adiante, sem a intenção de se suicidar.

Devemos nos atentar a esse ”tipo” de pessoa que por alguma razão está insatisfeito com a vida e precisa exteriorizar suas dores. Até mesmo por falta de amigos e familiares que atentem as suas dificuldades. Nos atentarmos para estendermos a mão, e mostrar que fases e momentos difíceis todos, sem exceção, passamos. Mas que passar por momentos difíceis não quer dizer que você vai permanecer sempre nele, é somente uma passagem. E não importa qual seja o motivo que leve o jovem a cometer esse tipo de prática, devemos ser humanos e tentarmos compreender a dor do outro, ainda que fuja da nossa realidade.

No Brasil, a maioria dos automutilados ainda está desamparada.

A origem do transtorno ainda é confusa para os especialistas. Uma parte dos estudiosos defende a ideia de que a autolesão é, sim, uma doença em si. Acreditam na hipótese de que os cortes liberariam mais endorfina em algumas pessoas do que em outras. Quando a substância age no cérebro, provoca sensação de bem-estar que diminui a ansiedade e a tristeza. É dessa maneira que a mutilação acaba se tornando um vício. A outra parte dos especialistas acredita que automutilação é um sintoma de doenças emocionais, como a depressão.

Leia esse trecho da entrevista com atenção :

Por mais profundo que seja o corte, já não sinto dor. Será possível que meu corpo, sabendo que meus atos de agressão são conscientes, já não precise da dor como alerta? Das últimas vezes senti náuseas, por tempo prolongado, o que não aconteceu antes. Talvez pela dimensão dos meus atos‘, escreve.

O assunto é tão sério, a dor interna é tão grande, que anormalmente a prática já não causa nenhum tipo de dor. Isso é surreal. Pois enquanto algumas pessoas levam apenas um arranhão e sofrem de dor, outras, provocam em si cortes profundos que já não causam nenhum efeito.

Beatriz diz que foi a psicóloga quem conseguiu convencê-la a parar com a mutilação. ‘Ela me convenceu de que não era legal. Eu não via problema nenhum. Era uma coisa boa, um bem que fazia a mim mesma. Parei para agradar os outros, e não a mim. Eu via que minha mãe ficava desesperada . Quem estava por perto ficava alarmado.’ Mas hoje acha que a automutilação é ruim? Silêncio. ‘Espero que um dia fale que não quero mais. Por mais que pense diferente agora e saiba que existem outras maneiras de lidar com a vida, acho que…’ Respira fundo, desvia o olhar, tamburila os dedos sobre um livro e emudece. ‘Sempre vai ter uma vontadezinha, não tem jeito.’
A verdade é que mesmo diante de uma reportagem como essa, não posso me permitir ter uma opinião formada sobre o assunto, pois o mesmo vai além da minha compreensão. Pois como já falei não é de minha realidade, em nenhum aspecto. Mas busco ter um olhar humano a dor do próximo e a sua maneira de lidar com a própria dor. Pretendo sim compreender melhor sobre essa prática, com textos e relatos de pessoas que sofrem e que sofreram com esse ” vício ”. E busco alertar as pessoas e pais sobre essa prática, pois ela não é nem um pouco visível. Já que a todo momento a vítima esconde seus sentimentos, logo esconderá seu corpo.
Mas se você que está lendo esse post, passa por essa situação, ou conhece alguém que passa pela mesma, te convido a conhecer o site http://www.sosjovem.com.br. Não exite em procurar ajuda. Nesse site eles vão te ajudar a vencer seus traumas e seus vícios. Mesmo que você não queira revelar a sua identidade, eles não negaram ajuda.
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#VocêNãoEstáSozinho
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